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Pacote trilionário chinês tende a valorizar commodities

A aposta da China também está no aquecimento do mercado imobiliário

Segundo Ricardo Penha, é preciso ter cautela, pois o yuan desvalorizou cerca de 6,7% em relação ao dólar desde o final de março, tornando-se a moeda com o pior desempenho na Ásia durante o período

Mesmo com as duas economias em crise, Brasil e China ainda são duas importantes apostas do mercado internacional. O governo chinês anunciou uma meta ambiciosa de crescimento de 5,5% do PIB para este ano. Segundo Ricardo Penha, sócio-fundador do Hub do Investidor, de Curitiba, a paralisação da economia da China pode ser algo de curtíssimo prazo e, no segundo semestre, o país pode voltar ao caminho do crescimento. “O governo chinês defende uma campanha de construção de infraestrutura como forma de estimular o crescimento econômico no país, em uma tentativa de aumentar a demanda doméstica e manter o crescimento, o que pode ser um ponto chave para impedir uma desaceleração econômica local”, explica.

Analisando a atuação do Banco Central chinês, Penha destaca que a instituição se absteve de cortar as taxas de juros, apesar das crescentes evidências de uma forte desaceleração no PIB, sugerindo que banco pode estar preocupado com a depreciação da moeda e as saídas de capital do país. “Isso se nota porque o Banco Central manteve as taxas de empréstimo de médio prazo de um ano no patamar de 2,85%, além de renovar os 100 bilhões de yuans (cerca de US$ 15 bilhões) em empréstimos de médio prazo sem fornecer liquidez adicional, mesmo diante de um dos menores índices de produção industrial e de consumo desde o início da pandemia”, ressalta.

A aposta da China também está no aquecimento do mercado imobiliário, ao anunciar uma redução dos juros de hipotecas para compradores primários de habitação, além de incentivar um esforço, pelas instituições bancárias do país, em reduzir ainda mais as taxas para compradores. “O mercado imobiliário da China é uma fonte crucial de crescimento para a economia doméstica, mas está em queda há quase um ano, com as vendas caindo a um ritmo de dois dígitos todos os meses desde agosto de 2021 e os preços das novas casas, também, após a repressão do governo. De fato, temos indicadores econômicos que sugerem uma economia um pouco mais desaquecida, porém, temos de ponderar que são dados de alta frequência e que estão sob forte influência das condições de curto prazo, influenciados pelos lockdowns e política Covid zero por lá. Superada a crise sanitária, entendemos que os dados futuros, provavelmente, serão melhores”, contextualiza Penha.

Ainda assim, segundo o especialista, é preciso ter cautela, pois o yuan desvalorizou cerca de 6,7% em relação ao dólar desde o final de março, tornando-se a moeda com o pior desempenho na Ásia durante o período. “O estímulo do Banco Central Chinês foi relativamente modesto este ano. Ele cortou a taxa em janeiro e fez uma redução menor do que o esperado na quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva em abril (compulsório). Em vez disso, os formuladores de políticas confiaram no uso de ferramentas estruturais para atingir áreas mais fracas da economia, como programas de repasse para pequenas empresas”, afirma. De acordo com Penha, mesmo com um cenário incerto e ambivalente, o pacote trilionário pretendido pelo governo chinês tende a ser muito bom para as commodities, o que pode ser bastante interessante para países e empresas exportadores como o Brasil e a Vale, por exemplo.

A aposta da China também está no aquecimento do mercado imobiliário

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