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Ucrânia faz alerta para que moradores abandonem o leste do país e volta a pedir armas à Otan
A Ucrânia fez um apelo nesta quinta-feira, 7 para que os civis do leste do país aproveitem a “última chance” para fugir, antes da iminente ofensiva russa na região, e voltou a pedir armas aos países membros da Otan para sua defesa. A Rússia, acusada de crimes de guerra contra civis nas zonas que ocupou, foi alvo de novas sanções dos países ocidentais e nesta quinta-feira pode ser suspensa do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Para as autoridades ucranianas, Moscou está prestes a iniciar um ataque em larga escala no leste. “Os próximos dias são, talvez, a última oportunidade de fugir”, afirmou no Facebook o governador da região de Lugansk, Serguii Gaidai, ao informar que os russos “estão cortando todas as vias possíveis de saída”.

“Não hesitem em partir”, insistiu, depois de escrever no aplicativo Telegram que as autoridades “não permitirão uma segunda Mariupol”, em referência à cidade portuária do sul da Ucrânia, cercada e destruída pelo exército russo desde o fim de fevereiro.

Na quarta-feira, 1,2 mil pessoas foram retiradas da região leste do país. O novo apelo afeta especialmente a cidade de Severodonetsk, o ponto mais ao leste sob controle de Kiev e atingida de maneira permanente por bombardeios russos.

Os moradores entrevistados pela AFP na véspera afirmaram que estavam bloqueados. “Não temos para onde ir, estamos assim há vários dias”, declarou Volodymyr de 38 anos, diante de um edifício em chamas. “Não sei para quem é esta guerra, mas nós estamos aqui sob as bombas”, lamentou.

Risco

As autoridades ucranianas pedem a saída dos civis de toda a região de Donbas, onde lutam contra separatistas pró-Rússia desde 2014, assim como da região vizinha de Kharkiv, cuja capital de mesmo nome é a segunda maior cidade do país.

Em caso de ofensiva russa, os civis nestas áreas “ficarão expostos à morte”, afirmou a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk. O leste da Ucrânia virou o principal objetivo do Kremlin. O ministério russo da Defesa anunciou nesta quinta-feira o bombardeio com mísseis de quatro depósitos de combustíveis que abasteciam as tropas ucranianas.

Os ucranianos temem uma situação parecida com a de Mariupol (sudeste), o porto do Mar de Azov que está cercado há semanas e com milhares de pessoas presas em condições atrozes. Como consequência da nova estratégia de Moscou, a retirada das forças russas da região de Kiev e do restante do norte da Ucrânia “está praticamente encerrada”, disse uma fonte militar ocidental.

Em algumas destas áreas, como na cidade de Bucha, que fica perto da capital, foram encontrados dezenas de corpos com trajes civis. O governo da Ucrânia acusou a Rússia de massacres, mas o Kremlin nega e afirma que as imagens dos cadáveres a “encenações”.

Em meio a uma campanha de repressão contra qualquer relato que discorda do discurso oficial, a agência reguladora das telecomunicações da Rússia proibiu o Google de fazer publicidade no país e acusou a sua plataforma Youtube de divulgar informações falsas sobre o conflito na Ucrânia.

“Armas, armas e armas”

Para enfrentar a esperada ofensiva russa, Kiev intensificou o pedido de ajuda ao Ocidente em uma reunião em Bruxelas com chanceleres dos países da Otan.

“Venho pedir três coisas: armas, armas e armas. Quanto mais rápido forem entregues, mais vidas serão salvas e destruições evitadas”, declarou o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, ao chegar para a reunião.

“A Ucrânia tem direito à defesa. Vamos escutar as necessidades que serão apresentadas por Dmytro Kuleba e conversar sobre como responder”, declarou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Jens Stoltenberg.

Em outra frente de ajuda à Ucrânia, Estados Unidos e Reino Unido reforçaram na quarta-feira as sanções econômicas contra a Rússia após a divulgação das imagens de Bucha.

O presidente americano Joe Biden citou “crimes de guerra graves” e prometeu “afundar durante anos” o desenvolvimento econômico da Rússia. As novas sanções afetam grandes bancos russos e duas filhas do presidente Vladimir Putin. De acordo com as autoridades americanas, a economia russa pode registrar queda de 15% este ano.

A União Europeia deve seguir a maioria das novas medidas, mas ainda está dividida a respeito das sanções contra o setor de energia devido ao custo que pode ter para suas próprias economias, muito dependentes dos hidrocarbonetos russos.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky lamentou a “indecisão” europeia e seu governo acusou, inclusive a Hungria de “ajudar Putin a continuar sua agressão por se oferecer para compra gás russo em rublos. O ministro húngaro das Relações Exteriores admitiu que o país permitiu o pouso de um avião russo com combustível nuclear, mas destacou que este tipo de carga estava entre as exceções europeias.

O quinto pacote de sanções que a UE examina inclui pela primeira vez medidas contra o setor energético, com um embargo às compras de carvão da Rússia, embora ainda não afetem o gás ou o petróleo. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirmaram que estas medidas acontecerão “mais cedo ou mais tarde”.

Outra consequência da indignação após a divulgação das imagens de civis mortos em Bucha é a votação na Assembleia Geral da ONU que pode suspender a Rússia do Conselho de Direitos Humanos da organização.

Aviso foi feito antes da iminente ofensiva russa na região

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