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Três corpos com marcas de torturas encontrados na Ucrânia
Kiev – As autoridades ucranianas informaram a descoberta de três corpos de homens com marcas de torturas em uma vala perto de Bucha, uma área que foi ocupada durante semanas pelas tropas russas, que neste sábado bombardearam Kharkiv e outras cidades do leste do país.

Os cadáveres, retirados de uma vala da localidade e Myrotske, estavam com as mãos amarradas e os olhos vendados, afirmou o chefe de polícia de Kiev, Andriy Nebytov. “As vítimas foram torturadas durante muito tempo (…) No final, cada uma recebeu um tiro na têmpora”, disse.

Myrotske fica perto de Bucha, cidade da região de Kiev que virou símbolo das atrocidades da guerra na Ucrânia desde a descoberta, no início de abril – após a saída das tropas russas -, de dezenas de corpos de pessoas com roupas civis espalhados pelas ruas.

Nebytov disse que, em Myrotske, “os ocupantes [russos] tentaram esconder evidências de seus abusos, então jogaram os corpos em uma cova e os cobriram com terra”.

Promotores ucranianos disseram nesta semana que identificaram mais de 8 mil crimes de guerra desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, e investigam dez soldados russos por seu suposto envolvimento nas atrocidades de Bucha.

A Rússia nega seu envolvimento nos massacres e afirma que é uma armação orquestrada pelo governo ucraniano.

Bombardeios em Kharkiv

As tropas russas, confrontadas com uma resistência inesperada no norte, concentram seus ataques há várias semanas no leste, onde contam com o apoio de separatistas pró-russos na região de Donbass, e no sul. Kharkiv (leste) sofreu diversos bombardeios de artilharia neste sábado, que deixaram um morto e cinco feridos, informou a administração militar da cidade, a segunda maior da Ucrânia.
Antonina, uma moradora da cidade, encontrou a casa destruída e um foguete na área em que ficava o banheiro. “Foi assustador”, disse. A concentração de tropas russas no leste não impede o bombardeio de outras regiões.

O aeroporto de Odessa (sul) foi alvo neste sábado de um disparo de míssil russo que destruiu sua pista, sem causar vítimas, anunciou o governador da região. Na quinta-feira, vários mísseis foram disparados contra Kiev, durante a visita do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. O governo russo afirmou que o ataque teve como alvo uma fábrica de mísseis.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, lamentou que “uma humilhação tão deliberada e brutal das Nações Unidas pela Rússia não tivesse resposta” da comunidade internacional.

Combates palmo a palmo

O governo ucraniano reconhece que várias aldeias da região de Donbass caíram nas mãos dos russos, mas garante que também está provocando golpes significativos. “A situação na região de Kharkiv é dura, mas nossas Forças Armadas, nossa inteligência, registraram importantes êxitos táticos”, declarou Zelensky em um discurso exibido na televisão.

As tropas ucranianas anunciaram que recuperaram um vilarejo “importante estrategicamente” perto de Kharkiv, Ruska Lozova, e que retiraram centenas de civis.

Uma fonte da Otan afirmou que a Rússia registrou avanços “pequenos e irregulares” devido ao contra-ataque das tropas ucranianas armadas pelos países ocidentais.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou em uma entrevista à agência estatal chinesa Xinhua que a ofensiva de seu país acontece “de acordo com os planos”. Lavrov também pediu à Otan o fim do envio de armas a Kiev “se realmente estão interessados em resolver a crise ucraniana”.

EUA denuncia a “depravação” de Putin

Milhares de pessoas morreram e milhões foram forçadas a fugir de suas casas desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, uma ex-república soviética que esteve sob seu domínio durante a Guerra Fria, mas agora busca fortalecer sua aliança com os países ocidentais.

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, denunciou na sexta-feira a destruição da Ucrânia e criticou o que chamou de “depravação” do presidente russo, Vladimir Putin.

Último reduto de resistência em Mariupol

A Rússia conseguiu assumir o controle do porto estratégico de Mariupol (sudeste), após semanas de cerco e bombardeios contra a cidade. Mas o último reduto de combatentes, ao lado de muitos civis, persistem nos túneis do grande complexo siderúrgico de Azovstal.

A ONU afirmou que tenta retirar os civis, mas Dennis Pushilin, líder da região separatista pró-Moscou de Donetsk, acusou as forças ucranianas de “atuar como terroristas” por supostamente reter os civis na siderúrgica.

Na área portuária de Mariupol, repórteres da AFP ouviram o pesado bombardeio de Azovstal na sexta-feira, durante uma visita de imprensa organizada pelo exército russo. A vice-primeira-ministra ucraniana, Irina Vereshchuk, indicou que 14 ucranianos, incluindo uma militar grávida, foram trocados neste sábado por um número indeterminado de prisioneiros russos.

País enfrenta bombardeiros intensos na região leste neste sábado

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