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Polêmica e mistério cercam um Boeing retido no Aeroporto de Ezeiza há três semanas
Um mistério cerca o Boeing 747 Dreamliner cargueiro da companhia aérea Venezuela Emtrasur, retido no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, desde o início de junho. O juiz Federico Villena determinou que cinco tripulantes iranianos — havia outros 14 de nacionalidade venezuelana — fossem impedidos de deixar o país, diante da denúncia de que havia entre eles um suspeito de atividades terroristas. O magistrado ordenou ainda que a aeronave não fosse movimentada.
A novela do Boeing 747 teve início no dia 6, quando a aeronave chegou à Argentina, trazendo do México um carregamento de autopeças. A primeira escala foi em Córdoba, de onde partiu para Buenos Aires. Dois dias depois, sem qualquer problema burocrático, decolou rumo a Montevidéu. No entanto, as autoridades uruguaias não autorizaram o pouco. Com isso, o avião retornou para a capital argentina.
A recusa de pouso em Montevidéu despertou suspeitas. As autoridades aeroportuárias da Argentina verificaram que o Boeing fora vendido para a Emtrasur pela companhia aérea iraniana Manah Air, ligada à Força Quds, um dos braços da Guarda Revolucionária — considerada organização terrorista pelo pelos Estados Unidos, mas não pela Argentina.
Os prestadores de serviços aeroportuários em Ezeiza passaram a não fornecer apoio logístico ao avião. O receio era sofrer sanções secundários do governo dos Estados Unidos, que estipula punições às companhias que realizarem negócios com empresas inseridas lista do Tesouro dos EUA. Os boatos começaram a correr na cidade.
O ministro da Segurança Interna da Argentina Aníbal Fernández, foi acionado. Segundo ele, a princípio, os problemas se restringiam à origem do avião. No entanto, investigações complementares apontaram que um dos tripulantes, Gholamreza Ghasemi, seria membro da Guarda Revolucionária e administrador de uma empresa ligada à Força Quds.
“Não posso garantir que se trata da mesma pessoa ou de um homônimo. Isso será analisado em conjunto pelo Ministério, o Serviço de Migração e a Polícia de Segurança Aeroportuária”, explicou Hernández.
A decisão do juiz Villena acatou o pedido da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia). A presença de cidadãos iranianos no país representa um tema sensível para os argentinos. A ligação de agentes de Teerã com o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) — que matou 85 pessoas e deixou mais de 300 feridos — ainda não foi esquecida. Entre os procurados pela polícia local e que foram inseridos na lista vermelha da Interpol, está o nome de Ahmad Vahidi, atual ministro do Interior do Irã.
Em outra frente, a procuradora federal Cecilia Incardona, abriu uma investigação formal sobre o caso do Boeing da Emtrasur. Ela determinou que as apurações transcorram em sigilo, pois teme o vazamento de informações.
O Ministério da Segurança Interna mantém os iranianos isolados em um hotel. Os tripulantes tiveram registradas as impressões digitais e aguardam o desentolar das investigações.
Já o porta-voz da Chancelaria do Irã, Said Khatbzadeh, afirmou que a operação contra os tripulantes não passa de “peça de propaganda”, destinada a “causar um sentimento de insegurança entre países”.
Quase um mês depois, o caso do Boeing 747 ainda não teve um desfecho. Ao ritmo dramático do tango, a polêmica que envolve a aeronave mistura suspeitas, acusações, medo e uma boa dose de mistério. O cenário perfeito para todo tipo de teoria conspiratória.

A presença de tripulantes iranianos, um deles suspeito de envolvimento com organização terrorista, desencadeou investigação

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