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Morre, aos 70 anos, o escritor espanhol Javier Marías
O escritor Javier Marías, um dos romancistas espanhóis mais célebres das últimas décadas, morreu neste domingo, 11, em Madri, aos 70 anos, devido a uma pneumonia, informou sua editora à agência de notíciais AFP.

“Com grande tristeza, de Alfaguara e em nome de sua família, lamentamos informar que esta tarde nosso grande autor e amigo Javier Marías faleceu em Madri, acometido de pneumonia que sofria há algumas semanas e que se complicou em nas últimas horas”, disse a editora em comunicado.

Publicado em mais de 40 idiomas e em cerca de 60 países, Marías foi um dos escritores mais celebrados da literatura espanhola. Escreveu dezesseis romances, entre eles “O homem sentimental” (Prêmio Ennio Flaiano), “Todas as Almas” (Prêmio Ciudad de Barcelona), “Coração tão branco” (Prêmio da Crítica), “Berta Isla” (Prêmio da Crítica, Prêmio Dulce Chacón, Melhor Livro do Ano em Babelia) e “Tomás Nevinson” (Prêmio Gregor von Rezzori).

Durante sua carreira recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Nelly Sachs; os Prêmios Grinzane Cavour e Alberto Moravia; e o The America Award. Em 2016, foi nomeado Leão Literário pela Biblioteca Pública de Nova York. Seu nome também aparece regularmente nas últimas listas do Nobel de Literatura.

Além disso, foi membro da Real Academia Espanhola (RAE) e, em 2021, foi eleito membro internacional da Royal Society of Literature (RSL), instituição beneficente do Reino Unido para a promoção da literatura.

Em nota, a RAE, que o descreveu como “um dos maiores romancistas da língua espanhola”, lembrou sua carreira como professor de Literatura Espanhola e Teoria da Tradução na Universidade de Oxford (1983-1985), no Wellesley College of Massachusetts (1984) e na Universidade Complutense de Madrid (1986-1990).

A academia ressaltou também que Marías foi nomeado cavaleiro da Ordem de Artes e Letras da França.”Dia triste para as letras espanholas”, reagiu o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, em sua conta no Twitter. “Javier Marías, um dos grandes escritores do nosso tempo, nos deixa. Sua imensa e talentosa obra será sempre parte fundamental de nossa literatura”, acrescentou em sua mensagem de condolências.

Para Javier Marías, que completaria 71 anos em 20 de setembro, a vocação veio de família. Sua mãe, Dolores Franco, era professora de Letras, e seu pai, o filósofo Julián Marías, discípulo de José Ortega e Gasset.

Devido ao seu compromisso com a Segunda República (1931-1936), foi retaliado pela ditadura de Franco e forçado ao exílio por alguns anos nos Estados Unidos, onde o pequeno Javier Marías viveu.

Tinha apenas 20 anos quando publicou seu primeiro romance, “Los dominios del lobo”, em 1971. Mas o reconhecimento por seu trabalho não veio até sua quinta publicação, “O homem sentimental “, de 1986.

Dois títulos de destaque o seguiram: “ATodas as almas” (1989), onde ficcionalizou sua experiência como professor em Oxford, e “Coração tão branco” (1992), com o qual deu o salto definitivo para a fama. Seu último romance foi “Tomás Nevinson”, publicado no ano passado pela Alfaguara.

Com posições às vezes polêmicas, como quando rejeitou o Prêmio Narrativa Nacional em 2012, em suas colunas populares no semanário do jornal El País — onde escreveu até o final de julho —, costumava compartilhar suas visões afiadas e longe do politicamente correto.

“Descanse em paz”, escreveu o ministro da Cultura espanhol, Miquel Iceta, no Twitter. “Seu trabalho o manterá vivo em nossa memória”, acrescentou.

Conhecido por romances como ‘O homem sentimental’ e ‘Todas as Almas’ era um dos principais autores de língua espanhola

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