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Incêndios florestais duplicaram no mundo em 20 anos, diz estudo
Os incêndios florestais duplicaram em todo o mundo nos últimos 20 anos, particularmente nas florestas boreais, provavelmente por causa das mudanças climáticas, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira, 17. A situação é especialmente dramática em países como a Rússia, que experimentou incêndios sem precedentes no ano passado, enquanto o fenômeno “El Niño” exacerbou a perda de massa florestal na América Latina, explica o relatório conjunto da Global Forest Watch (GFW), World Resources Institute (WRI) e da Universidade de Maryland.

Em comparação com 2001, nas últimas duas décadas os incêndios varreram cerca de 3 milhões de hectares por ano, o equivalente à área da Bélgica. Cerca de 70% da superfície devorada pelas chamas está concentrada nas florestas mais ao norte, nas regiões da Rússia, Canadá e Alasca, os maiores depósitos de carbono do planeta. A Rússia perdeu 53 milhões de hectares nas últimas duas décadas, o equivalente à área da França. Mas a situação também é dramática no Brasil, que perdeu 9,5 milhões de hectares nesse período, o equivalente a 15% do total mundial. “Dois terços dessas perdas ocorrem em florestas primárias, que são importantes reservas de carbono e biodiversidade”, explica o texto.

A Bolívia perdeu 1,6 milhão de hectares nestas duas últimas décadas. Pesquisadores da Universidade de Maryland usaram satélites para determinar a área queimada. Os incêndios representam, segundo o estudo, cerca de um quarto da perda total de massa florestal desde o início do século no mundo. O restante é causado por desmatamento ou causas naturais – tempestades e inundações -. A perda de florestas devido a incêndios aumentou 4% a cada ano em todo o mundo, ou seja, mais 230 mil hectares, e cerca de metade desse aumento se deve a incêndios maiores em florestas boreais, “provavelmente o resultado do aquecimento nas regiões do norte”, acrescentam os pesquisadores.

Na Europa, o serviço de monitoramento por satélite Copernicus alertou, na semana passada, que os incêndios florestais atingiram níveis recordes este ano. Dezenas de milhares de hectares foram perdidos na França, Espanha e Portugal. As mudanças climáticas são “provavelmente um fator primário” nesse aumento.

As ondas de calor, que secam as florestas e as fragilizam diante da ameaça das chamas, são cinco vezes mais prováveis hoje do que há um século e meio. E esses incêndios exacerbam simultaneamente as emissões de gases de efeito estufa, causando um “ciclo de retroalimentação”. “Nessas regiões boreais, o CO2 se acumulou no solo por centenas de anos e foi protegido por uma camada úmida”, diz à AFP o analista da GFW James McCarthy. “Esses incêndios, mais frequentes e mais graves, queimam essa camada superior e liberam esse CO2”, acrescenta.

Essa dinâmica, alerta o estudo, pode fazer com que as florestas boreais deixem de ser reservas de carbono no médio prazo. Os pesquisadores pedem aos governos que fortaleçam a proteção florestal e combatam o desmatamento. “As florestas são uma das melhores defesas contra as mudanças climáticas”, explicou McCarthy.

Segundo o levantamento, as queimadas representam cerca de um quarto da perda total de área verde desde o início do século

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