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Eleições na França: Macron e Le Pen retomam a campanha de olho em voto de indecisos
Paris – O presidente centrista, Emmanuel Macron, e a candidata de extrema direita Marine Le Pen retomaram nesta segunda-feira, 11, a campanha eleitoral, buscando atrair os eleitores que não votaram em nenhuma das duas chapas no primeiro turno. A disputa visando a um segundo turno promete ser acirrada.
Em Carvin, no Pas de Calais, região onde Le Pen venceu, Macron declarou estar pronto para “mudar” sua posição sobre a reforma previdenciária, reformulando de 65 para 64 anos sua promessa de campanha para a aposentadoria se esse tema “gerar muita tensão”.
Um pouco antes, em Denain, cidade da mesma região que é uma das mais pobres da França, Macron teve que responder a muitas perguntas sobre esse tema. Uma mulher lhe disse: “Votei em você, mas lamento, você não gosta dos aposentados”.
O candidato do partido A República Em Marcha (LREM) garantiu a vaga no segundo turno ao receber 27,85% dos votos, melhor do que o previsto pelas pesquisas, enquanto a candidata do Reagrupamento Nacional (RN) obteve 23,15%.
A França repetirá o duelo de 2017, quando Macron recebeu 66,1% de votos no segundo turno. De acordo com as pesquisas mais recentes, agora a vantagem sobre Le Pen seria de apenas entre 2 a 10 pontos.
“É uma partida completamente diferente”, afirmou à AFP o cientista político Brice Teinturier. Ele destacou que o atual presidente “não é mais o novo candidato que encarna uma forma de frescor” como em 2017, e que sua rival não gera mais tanta rejeição, depois de trabalhar sua imagem e estar “mais em contato com os franceses”.
E o país também não é o mesmo. O mandato de cinco anos de Macron foi marcado por grandes protestos sociais contra sua política para as classes populares, uma pandemia que deixou milhões de pessoas confinadas e, nas últimas semanas, pelos efeitos da guerra na Ucrânia.
A ofensiva russa na Ucrânia ofuscou a campanha do primeiro turno, mas suas consequências nos preços da energia provocaram a alta da inflação e reforçaram a principal preocupação dos franceses: a perda de poder aquisitivo.
Segundo uma pesquisa Ifop-Fiducial divulgada hoje, Macron venceria o segundo turno, no próximo dia 24, com 52,5% dos votos, contra 47,5% para Marine. Reforçado por sua imagem de presidente estável em períodos de crise, o candidato do LREM, 44 anos, tenta posicionar o debate no impacto que a chegada de Le Pen ao poder teria para as alianças internacionais.
A candidata do RN, de 53 anos, propõe abandonar o comando integrado da Otan, que estabelece a estratégia militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte, e sua vitória representaria outro duro revés para a União Europeia (UE) após a reeleição do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, na semana passada.
Macron, no momento em que o país exerce a presidência semestral da UE, rejeitou uma “eventual França que fora da Europa só teria como aliados a internacional dos populistas e xenófobos”. O presidente busca retomar a imagem de radical que a candidata de extrema direita apagou durante o primeiro turno, quando deixou de lado as propostas sobre migração e se apresentou como defensora do poder aquisitivo e das classes populares. “Chegamos a este segundo turno sem termos perdido a serenidade, a calma, a determinação, a convicção absoluta de que podemos vencer”, disse Marine hoje.
À tarde, ela fez uma visita surpresa a 100 quilômetros de Paris para conversar com um agricultor sobre a sua situação e alertar para um eventual aumento dos preços dos alimentos. “Isso me preocupa muito, porque observo nuvens se acumulando e um presidente que finge não vê-las”, acrescentou.
O presidente aparece como o candidato com maior capacidade de atrair votos de outros partidos, depois que a maioria dos seus rivais derrotados pediram o voto nele ou que se impeça a extrema direita de chegar ao poder.
“Não se deve dar um único voto a Le Pen”, afirmou o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, o terceiro candidato mais votado (21,95%), sem pedir explicitamente votos para Macron, assim como o partido Os Republicanos (direita). “Se Macron quer convencer nossos eleitores, ele que trabalhe”, alertou o diretor de campanha de Mélenchon, Manuel Bompard.
Mas o alcance dos apelos é incerto, uma vez que a personalidade do presidente divide os eleitores de esquerda. Ao destacar a falta de apoio à sua reforma previdenciária e a polêmica recente envolvendo a contratação de consultorias privadas pelo governo, o partido de Le Pen também busca atrair eleitores no campo da esquerda.
“Os candidatos não são proprietários de seus eleitores e penso que muitos que votaram em Jean-Luc Mélenchon (…) votarão em Marine Le Pen no segundo turno”, disse Jordan Bardella, da RN.
A herdeira da Frente Nacional conta com os 7% de eleitores do extremista Éric Zemmour, que pediu votos para ela, e os 2% do candidato de direita radical Nicolas Dupont-Aignan.
 

De acordo com as pesquisas mais recentes, vantagem do atual chefe de Estado sobre Le Pen varia entre dois a dez pontos

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