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Diante da tensão sobre Taiwan, chanceleres de Estados Unidos e China se reúnem na ONU
Nova York – Chefes da diplomacia de Estados Unidos e China, Antony Blinken e Wang Yi, respectivamente, reuniram-se nesta sexta-feira, 23, em Nova York, em meio a tensões bilaterais sobre Taiwan. Blinken e Yi apertaram as mãos e trocaram cumprimentos diante das câmeras antes de iniciarem a reunião de cerca de 90 minutos, à margem da Assembleia Geral anual da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, o secretário Antony Blinken “enfatizou que preservar a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan é fundamental para a segurança e a prosperidade regional e mundial”. O chefe da diplomacia americana também advertiu seu homólogo chinês sobre as consequências do apoio de Pequim à “invasão russa de um país soberano”, acrescentou Price.
Oficialmente neutra, a China é, com frequência, acusada por lideranças ocidentais de ser muito conciliadora com a Rússia. Autoridades americanas manifestaram, no entanto, esperanças moderadas, após as declarações de Pequim esta semana na ONU.
Em Nova York, o chanceler chinês também se reuniu com o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, a quem garantiu que Pequim pediu que se respeite “a integridade territorial de todos os países”.
A reunião entre Blinken e Wang foi “extremamente franca, construtiva e minuciosa”, resumiu um funcionário americano, que pediu para não ser identificado. Este é seu primeiro encontro desde julho passado, em Bali, quando se mostraram dispostos a retomar o diálogo bilateral.
Um mês depois, a presidente da Câmara de Representantes (Deputados) dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, viajou para Taiwan, provocando a ira de Pequim e renovando as tensões entre as duas grandes potências. Em uma entrevista no domingo, 18, o presidente americano, Joe Biden, disse estar pronto para intervir militarmente, caso Pequim ataque Taiwan.
Na reunião com Blinken, Wang acusou os Estados Unidos de “enviarem sinais muito ruins e perigosos”, que estimulam Taiwan à independência, de acordo com um comunicado do Ministério chinês das Relações Exteriores.
Wang disse a Blinken que a China deseja uma “reunificação pacífica com Taiwan e que, “quanto mais atividades pela independência de Taiwan” foram realizada, haverá menos possibilidades de uma “solução pacífica”, frisou a Chancelaria chinesa.
Em um aparente sinal de uma leve redução das tensões entre ambas as potências, o ministro chinês se reuniu em Nova York com o enviado americano para o clima, o ex-secretário de Estado John Kerry, embora Pequim tenha suspendido a cooperação com Washington nesta matéria, em retaliação à visita de Pelosi a Taiwan.
Em um discurso na quinta-feira, 22, Wang voltou a expressar o profundo mal-estar de Pequim pelo apoio dos EUA à ilha de Taiwan. “A questão de Taiwan está-se tornando o ponto de tensão mais arriscado nas relações EUA-China”, disse ele.
“Se mal administrada, pode devastar as relações bilaterais”, alertou, em conferência no “think tank” Asia Society. “Assim como os Estados Unidos não permitem a saída do Havaí, a China tem o direito de defender a unificação do país”, acrescentou.
Wang declarou ainda que ambos os países querem que o relacionamento bilateral “funcione” sem confronto e observou que Washington está jogando em várias frentes ao mesmo tempo. O Congresso americano é um forte defensor do aprofundamento dos laços com Taiwan. Um projeto de lei que contempla a primeira ajuda militar direta dos Estados Unidos à ilha asiática superou, recentemente, uma etapa fundamental no Senado.

Oficialmente neutra, a China é, com frequência, acusada por lideranças ocidentais de ser muito conciliadora com a Rússia

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